domingo, 21 de maio de 2006

Código da Vinci - O Filme e o Livro



Fomos ver o filme ontem.
Sou sincera! Nem é costume gostar muito dos filmes quando já li o livro antes.
Acho que quando lemos um livro tendemos a idealizar as cenas e situações e há um contexto onírico inerente à interpretação pessoal de cada um.
O mesmo livro tem, na minha opinião, "tantos filmes" possíveis quantas as pessoas o leram, já que cada um "vê" mentalmente a coisa à sua maneira.
Eu adorei o livro.
E ontem honestamente também gostei imenso do filme!
Claro que há entre o livro e o filme partes cortadas e que na minha opinião "enriquecem" quem leu o livro, mas a verdade é que não sendo possível transpor na integra um livro para uma tela, acho que, de um modo simples, directo, sem fugir à história original, quem não leu o livro vê uma versão resumida bastante fiel, e quem leu idem.
Há momentos muito bem conseguidos como as cenas de visualização de imagens e hipoteses no modo como Langdon decifra os anagramas, por exemplo, que facilitam a compreensão das cenas. Falha por exemplo ao resumir demasiado a infância da Sophie e a demanda pelas prendas de anos e natal, o facto destas dependerem de decifrar os puzles/enredos criados pelo "avô". Ainda que apareça um flash back dela a achar 1 prenda debaixo da cama ou a brincar com um puzle cúbico, não ilustra o fascinio do avô por Da Vinci, não explora pontos interessantes sobre a sua vida e obra... etc.
No entanto, e esta é a minha opinião, o filme é agradável de se ver, sem partes maçudas ou momentos parados.
Honestamente acho que tanta fleuma a volta da pelicula só pode vir da mesma origem que a polémica aquando do lançamento do livro ;) o que, em pleno séc. XXI, se torna ridiculo.
Falamos de crenças? Ok falamos, e então? Temos todos que acreditar? Não se pode pôr em causa as coisas?
A questão levantada por Dan Brown não é original! Já tantos autores colocaram em causa a divindade de cristo, a sua relação com Maria Madalena, o papel da Igreja no passar da "mensagem"... (Pegue-se por ex. no livro de Saramago: Evangelho segundo Jesus Cristo)
Acho que o livro nos faz sentir (a nós leitores mais cépticos ou pelo menos, não-cegos-pela-religião) um pouco como a personagem "Sophie Saint-Claire", leva-nos a repensar e a duvidar da história contada pela Igreja e pela Bíblia.
Tem factos históricos interessantíssimos, as relações do catolicismo com o paganismo, a Maçonaria, e acima de tudo a versão do demanda do Santo Graal, ligada aos conceitos do eterno feminino.
É mais fácil para muitos, estando nós numa sociedade informada e cada vez mais "questionadora", acreditar e aceitar por exemplo a ideia de que Jesus Cristo não é filho de Deus, e que a Virgem Maria nunca poderia ter filhos sendo "Virgem".
Mas meus senhores, o livro e filmes são vendidos como obras de "ficção"! Sabemos que há factos históricos e comprovaveis.
Os que não podemos provar e são dados como históricos, então, faça-se em democracia, os crentes chamem-lhe ficção, os agnósticos ou mais cépticos ponderem a hipotese como real!
Pode ser? Ficamos todos contentes na mesma?
Boa! Então agora vou ver se descubro pistas para achar a descendente de Cristo! ;)
Bjcs

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