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O meu Outono



        É verdade que adoro o inverno. O som da chuva a cair, o cheiro a erva molhada, o barulho do vento nas janelas, o trovejar, as luzes de um raio à distância.
        Se me falarem de estações preferidas é essa a primeira em que penso. Com os meus camisolões de gola alta, os chapéus de chuva que adoro, as botas de cano alto, os fins de semana no sofá, de manta nas pernas e chavena de chá na mão.
       Mas há qualquer coisa de muito especial no outono. O Outono transporta-me à minha meninisse. Aos recomeços das aulas. Ao caminho de casa à escola, O som dos passos a calcar as folhas secas do passeio, o cheiro da terra molhada, o vento forte que nos dificultava o avançar.
        Outono é sinónimo de batata doce assada, com manteiga e canela; O Outono traz o cheiro ao bolo de iogurte da minha mãe, acabado de sair do forno quando eu chegava da escola.
        O Outono tem no ar o cheiro forte dos marmelos a cozer na panela, para o doce da minha infância. Traz o cheiro e o sabor das castanhas: assadas, cozidas, com sal, com erva doce, comidas em modo picnic no chão da sala, todos juntos, ao serão.
        O Outuno traz-me o conforto de dias em casa, com a família. Traz-me a segurança do calor das mantas, dos cachecois e dos gorros.
        E, acima de tudo, faz o prelúdio de que o Inverno está breve...

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