Ao fim destes meses em confinamento, sinto que algo começa a estalar em mim. Não um quebrar visível, não há o som cristalino do copo de vidro que cai da bancada e se estilhaça no chão. Será antes como uma fissura... uma pequenina fissura, que mal se vê, que não deixa verter água, mas que existe, e aos poucos, tenta crescer. Uma fissura que sinto mas tento ignorar. Não posso dar-me ao luxo de a tornar visível, é preciso continuar funcional. Mas ela está lá. Não todos os dias, não a toda a hora, mas em pequenos gestos ou situações. Quando toda esta situação nos atirou para casa, numa quarentena generalizada, havia medo, havia ansiedade. Havia toda uma situação desconhecida que destabilizou a realidade conhecída e nos obrigou, a todos, a descobrir e criar novas regras. Tele-aulas, Tele-escola, Teletrabalho, Família junta 24*7, Famíliares afastados apesar da presença do video. Com mais ou menos resistência, todos encontramos um ponto de equilibrio e, durante semanas,...