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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta #covid19

15 dias

E ainda não conheço a princesa mais nova. Há 3 meses que não dou um abraço bom na minha afilhada doce. 90 e poucos dias, desde que vi o meu sobrinho... Pensar: "é por uma boa causa"  não me apazigua a alma...

E assim reabriram as creches

Ao fim destes meses em confinamento, sinto que algo começa a estalar em mim. Não um quebrar visível,  não há o som cristalino do copo de vidro que cai da bancada e se estilhaça no chão. Será antes como uma fissura... uma pequenina fissura, que mal se vê, que não deixa verter água, mas que existe, e aos poucos, tenta crescer. Uma fissura que sinto mas tento ignorar.  Não posso dar-me ao luxo de a tornar visível, é preciso continuar funcional. Mas ela está lá. Não todos os dias, não a toda a hora, mas em pequenos gestos ou situações.  Quando toda esta situação nos atirou para casa, numa quarentena generalizada, havia medo, havia ansiedade. Havia toda uma situação desconhecida que destabilizou a realidade conhecída e nos obrigou,  a todos, a descobrir e criar novas regras. Tele-aulas, Tele-escola, Teletrabalho, Família junta 24*7, Famíliares afastados apesar da presença do video. Com mais ou menos resistência, todos encontramos um ponto de equilibrio e, durante semanas,...

Quarentena - dia 7

Amanhã será quinta feira dia 19 de Março. Podia ser um post com a referência ao dia do pai. Mas será o dia 7 O sétimo dia de uma quarentena social que estamos a viver. No dia 13 de Março, que por auspiciosa coincidência calhou ser uma sexta feira, o Estado português decretou o encerramento de todas as escolas em território nacional. O país entrou numa especie de letargia em que aos poucos, cada um se recolheu a casa, em família. A noção de se evitar o contato social gerou uma paranóia coletiva em que todos olham os demais como potenciais portadores do virus. Aconselha-se a reclusão social e uma quarentena quinzenal, em casa, atentos a sintomas de risco. Todos são portadores até prova em contrario - ecoa na tua cabeça... Vamos, todos juntos, combater este inimigo! Vamos ficar todos bem! -  As palavras de ordem, os chavões otimistas, não nos preparam para o que o isolamento implica. Que sonho! Poder ficar em casa e não ter que sair! O luxo de poder ter uma quinzena ...

Quarentena #Dia5

Ontem, fui à rua pela primeira vez desde que ficámos em casa. Aparentemente tudo normal. Alguns carros na estrada,nada por demais. A diferença, senti-a quando entrei num minimercado e em cada dez pessoas, nove estavam de máscaras e luvas. Embora tivesse um kit na bolsa, não era minha intenção usar. Ouve-se nas notícias o aviso de que são ineficazes se não estiveres infetado e não queres ser totó. Dei por mim a sobressaltar-me conforme tocava as prateleiras para pegar nos artigos. Olhei de lado para a alça do cesto onde tinha as compras. Quase sub repticiamente, tirei as luvas cirugicas e coloquei-as. Precisei dirigir-me a um funcionário. Fi-lo com uma distância segura, como se o seu hálito fosse laser. Dou comigo a olhar a máscara que lhe tapa a boca e apercebo-me que o deixa desconfortável eu ter os lábios e nariz descobertos. Passo a ser eu o elemento incomodativo. Coloco a máscara, assim que me vejo a sós no corredor. Continuo as compras, entre a sensação de segurança e o p...

O mesmo filme, um novo capítulo

Estou em casa. O filme continua a ser escrito, em modo reality show improvisado, com cada um de nós como personagem. Não sei bem qual o meu papel. Estou em casa. Com a família. Primeiro fecharam as escolas.  Não todas, algumas, onde tinham surgido casos. Depois vieram os debates na tv, a forte opinião pública.  Lá fora, pela Europa, a maior parte das escolas estão fechadas. As pessoas estão em casa… aqui demora. Finalmente, meio a medo, começam a encerrar-se escolas e colégios, por decisão própria das direções, por precaução. Mesmo sem casos confirmados. Já se sabe que o contágio é intenso e dramático. Já se sabe que as crianças sempre apanham o vírus. Que não são muito afetadas, mas afetam fortemente todos em seu redor. Os idosos são os mais suscetíveis. A pressão social obriga a uma posição do Estado. As escolas encerram todas. Por uma quinzena. Para já. As aulas presenciais estão suspensas. Até à interrupção da Páscoa. Estou em casa, desde sexta feira,...

Quando a realidade assusta mais que a fição - Covid 19

Passou quase um mês desde que aqui estive. Tanto tem acontecido nestes últimos meses, que tenho debatido o dilema  deambular o asunto. Na verdade, tenho convivido o dilema de saber como viver o assunto. Têm sido dias de incerteza, de dúvida, e de medo. Sobretudo medo. Esta Pandemia do Corona Vírus traz-nos a uma situação inédita. Toda uma experiência social inédita. O sonho de poder ficar em casa sem ter que pôr um pé na rua, revela-se um pesadelo quando vira real. Esta é uma realidade retirada da ficção. As séries televisivas, os filmes apocalípticos de um flagelo para a Humanidade, os Ensaios Sobre a Cegueira e as Pandemias Hollywoodescas convergiram num guião muito mais assustador, imprevisível porque não se escreveu ainda o fim. Um vírus, surgido a milhares de km, afeta uma pessoa… e em três meses, espalhou-se, deu a volta ao mundo, e reduz a nada todo seu diâmetro. Aquilo que era em dezembro um caso raro e estranho, de um vírus mortal que estava a dizimar uma loc...