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A mostrar mensagens com a etiqueta #Coisasquemexemcomigo

Quinta feira de espiga

  Há uma semana lembrei-me que se aproximava o dia da espiga. Não sou crente, não sou supersticiosa. Se tenho uma religião é o amor aos meus. E foi pela minha avó que me lembrei do dia. Pensei com mágoa, com uma raiva não direcionada, mas mal contida, que este ano não ia comprar ramo nenhum! Que se lixassem esses rituais pagãos que não têm qualquer sentido ou razão lógica. Espigas em número ímpar para representar o pão e a fertilidade. Papoilas rubras a simbolizar o amor. O malmequer “prata e ouro” para as riquezas terrenas. A oliveira, desejo de paz. O alecrim, para a força.  A videira, a alegria. (E haverão tantas variantes quantas as regiões de Portugal, mas esta é a versão que sigo) No dia de hoje, a minha avó ligar-me-ia. – Hoje é dia de espiga. Eu até gostava de ter um raminho…, mas se calhar já não se veem … E eu diria, como sempre: - Se eu encontrar levo-te um .  E levava. Todos os anos. Às vezes apanhado por mim daqui e dali até ter o ramo feito, outras v...

Balanço de 2020

 Não tem sido um ano fácil, em termos generalistas.      Esta trampa desta pandemia que nos trocou a normalidade e nos obriga a viver num baile de máscaras diário. Gestos que outrora seria considerados uma obsessão compulsiva, são agora incentivados.       Passa gel na mãos, coloca a mãscara, passa gel nas mãos. Passa gel nas mãos, entra na loja, vê, toca (o mínimo possível), compra, guarda as coisas no saco, sai da loja, passa o gel nas mãos. Chega a casa, tira sapatos, desinfeta sapatos, tira máscara, desinfeta e guarda a máscara, tira casaco, desinfeta e pendura casaco, passa gel, cumprimenta quem está. Brinco, mas a brincar toco na ferida, que se não morremos da doença, morremos na cura.       Estes gestos, aparentemente inofensivos, hão-de cobrar o seu preço. Aos poucos, todos nós, uns mais que outros, estamos a ganhar tiques, fobias, manias.  A prometida vacina, que se vislumbra "para breve",  poderá trazer em d...

O chá...

  O chá, para mim, está sempre associado ao conforto do lar, ao carinho, à família.      Às tardes chuvosas ou de frio... a chegar da escola e ter um chá quente à espera, porque la fora estava a chover e eu devia vir gelada.   A estar na casa dos avós e bebermos juntos um cházinho com torradas... eu, sempre com “minha” caneca preferida, que hoje guardo em minha casa com carinho.      Adoro chá.      De todos os tipos.      Mas acho que muito desse gostar vem daquilo que associo ao ritual... este cházinho bebo-os convosco em mente mãe e avó.

Se não for da doença, vai ser da cura.

De hoje a 4 dias completam-se 3 meses desde que estamos em casa. Há já uma rotina criada, ajustada, readaptada às novas realidades de cada um de nós. Já sei os dias que tenho que dar aulas no quarto porque na sala há demasiadas atividades em simultâneo. Já conheço as vozes de grande parte dos interlucutores diários do meu marido... Já (quase) todos se habituaram a colocar no quadro do frigorifico as reuniões, trabalhos e aulas que vão ter - só com horários a malta se entende. Maravilhoso no meio do caos, as refeições, ainda que às vezes a correr, todos juntos à mesa. Nunca tinhamos conseguido almoçar os 5 juntos mais de 20 dias seguidos. É ridiculo, não é? Se quantificarmos as coisas, foi preciso uma pandemia deste nível, para nos confinar a todos  verdadeiramente em família. Juntos. Não em férias, mas num bigbrother sem cameras, 24 sobre 24 horas todos juntos.  Não sei se temos "vivido" ou sobrevivido. Houve dias de perfeita loucura, em que nada corre bem, tudo parece conspi...

15 dias

E ainda não conheço a princesa mais nova. Há 3 meses que não dou um abraço bom na minha afilhada doce. 90 e poucos dias, desde que vi o meu sobrinho... Pensar: "é por uma boa causa"  não me apazigua a alma...

Coisas que mexem comigo

Há alturas em que pensas e repensas e pões tudo em perspetiva. Sou professora por vocação. Não porque não arranjei trabalho na área que queria, mas porque depois de anos em áreas menos cansativas, desgastantes, e mais bem remuneradas, dei comigo a repensar se era aquilo o que queria fazer o resto da minha vida ativa. E não era.Voltei para a minha área e não há um dia em que não saiba que a escolha foi a correta. Apesar do cansaço, da sensação de estar sempre atrasada, apesar das inúmeras horas a corrigir trabalhos, a pensar atividades, a fazer fichas. Não me arrependo, apesar horas de trabalho administrativo, com os relatórios, com os Rtp's, com tantos registos que divergem daquilo que devia ser o foco da profissão. Mas, se sou professora por vocação, sou mãe pela mesma razão. E custa-me muito, quando os mais novos estão doentes, não poder ficar em casa com eles como ficava com o mais velho. É que do mais velho eu estava num escritório. E as pilhas de contratos e serviços po...

Halloween ou Pão por Deus? - Do as thow will but harm no one!

Quando era miúda, o Halloween era algo que se via nos filmes americanos e nos causava a nós, miúdos lusitanos, uma dor de cotovelo enorme. Ver aquelas crianças mascaradas, em cortejo pela rua, com os pais a acompanhar, tocarem à campainha de casas decoradas a rigor e receber doces, era um foco de desejo.     Há os acérrimos defensores de que esta tradição não é nossa...que é importada, que é pagã, que a nossa tradição é o pão por Deus.     Mas será que sim? O que faz uma tradição? Não podemos ter novas? Não haverão algumas que se perdem no tempo e diluem no sentido?      Não deixa de ser a minha opinião, e vale o que vale, mas acho que nas últimas gerações, de um modo geral, foi o que aconteceu nos centros urbanos. A tradição, esmoreceu,      Até ao final de um duro período de ditadura, de maiores dificuldades, de carências, etc, era comum que se cumprisse a tradição. Apadrinhada pelo Estado, incentivada pela necessidade d...

Civismos

Ao energúmeno que tem, desde as 7:20, uma carrinha  parada junto ao cafè da minha rua a tocar em volume máximo "Rebel yell" do Billy Idol:  - Oh coisinho! Atè aparentas ter bom gosto músical, mas perde-se tudo quando dás o teu grito rebelde numa zona residencial a estas horas... num tom que entendas: è assim a modos que à azeiteiro! Topas? Tipo como se estiveres na tua, todo gato com a tua tshirt branca de alças, o bonè com a pala para trás, os oculos da Bershka com as lentes espelhadas( para ver as babes sem que elas te manjem) e tás ali, a comer uns "tramosses e minguins c'oa jola" e aparece um manfio qualquer e vai de pôr a dar música clássica... estragava-te o cenário nè?   Então olha, a mim estragaste o sono! Obrigadito oh Zé! Que o dia te corra tão bem,  que tenhas que dar muitos "yells" ao longo do dia!