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Uma torta de laranja e o dia em que tudo mudou

Amanhã fazes anos . Tu, o meu Grande. o meu filhote primeiro. 15 anos.
Ser mãe foi sempre um desejo, um objetivo. Nunca equacionei não ter fillhos.
Estava, desde as primeiras brincadeiras com nenucos e papinhas, preparada para receber nos braços um pequeno ser, saído de mim, e que segundo ouvia dizer: "ia mudar a vida como eu a conhecia".
Tu, trouxeste tudo isso e muito mais. Desde o momento em que soube que ia ser mãe e, ingénua, corri a contar ao mundo a notícia. Nunca pús a hipótese de algo pudesse não correr bem. Sonhava contigo há anos!
Tinhas apenas 6 semanas de gestação, meu amor, quando soube que me tinhas escolhido para mãe. Foste amado desde o "positivo" no teste. Por mim, pelo papá, pelos avós, pelos tios.
Vá... já sabes que tive ali uns segundos de "a sério?!" quando me disseram que eras um rapaz. O papá deu um salto no banco e soltou um " YES!", mas eu, nas minhas certezas estava segura que o meu primeriro filho ia ser menina... Foi apenas o impacto da surpresa. No momento seguinte já pensava azul e revia todos os nomes de menino na escolha daquele que seria o perfeito para ti.
A tua data prevista de nascimento era mais perto do Natal, já te contei? Dizia a médica que nascerias pelo dia 17 de Dezembro. Não queria. Não queria Nada! E se atrasasse? E se algo corresse mal? O teu primeiro Natal não podia ser numa maternidade.

A médica era uma querida, e não querendo chamar louca à gravida e os seu devaneios futeis, acordou que iríamos ter com ela dia 13 e ela induzia o parto.

Tarde de dia 08 de dezembro de 2004. Feriado chuvoso. Em casa, eu e o papá víamos um filme, aninhados no sofá. 
 - E se eu fizesse uma torta de laranja para o lanche? - desafio eu a dada altura.  - Vou só fazer um xix primeiro.

Na casa de banho, o xixi dá lugar a uma corrente de água. - Amor, acho que já não faço a torta. Eram 17h00.
Assim, calma, serena, feliz. As águas tinham acabado de rebentar.

Normalmente falam-nos no sinal de parto como indutor. Mas para mim foi tranquilo aquela enxurrada morna que me anunciava que vinhas aí.
 O pai, nervoso porque não nos tinham prevenido para esta hipótese. Eu, ansiosa porque a médica estava fora num congresso e só voltava dia 12.

Ainda houve tempo para um duche e mudar de roupa (serviu de muito, ficou logo molhada). Tirar umas fotos antes de sair de casa e lá fomos os dois....a  ansiar a próximidade do momento em que te teríamos nos braços.
Aqui a mamã ia meio preocupada com uma questão... dia 8 é o dia de aniversário da tia L. e esta mamã fútil queria um dia só teu...

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